19/07/2015

Made in Germany

Cando era mais novo sentía unha certa admiración pola enxeñaría alemá que se foi esvaecendo ao ir coñecendo os pormenores deste mundo.

Primeiramente, a maior parte do que se vende baixo o selo Made in Germany non é producido en Alemaña. Espero que a xente abra os ollos cedo perante este engano. Non poucas veces o Made in Germany significa facer apenas algún pequeno remate en Alemaña. O verdadeiro groso da produción é feito en Polonia, Eslovenia, Hungría, Croacia, etc... ou algún país colonizado económicamente. Eu mesmo vin fabricar a maioría das pezas dun produto en España troqueladas co Made in Germany.

A calidade dos produtos alemáns está sobrevaloradísima. Por exemplo, calquera que teña traballado cun coñecido ERP alemán non entende por qué ese ERP tan cutre, cuadriculado e tan pouco ergonómico está en case todas as empresas e non os ERP americanos. Estou certo de que se non fose polo euro e os aranceis aos produtos americanos e asiáticos, moitos produtos inferiores alemáns non serían vendidos na Europa.

A calidade da enxeñaría alemá e dos seus enxeñeiros tamén está sobrevalorada. Os mercados británico e holandés de servizos de enxeñería son moito máis competitivos que o mercado xermánico por dúas razóns: a lingua e a meritocracia, e especialmente esta última. Tanto holandeses como británicos, mesmo con Cameron, entenden que se un profisional oferece unha calidade superior, a orixe do apelido non é determiante, e non ten moito sentido porlle travas artificiais. Isto, por desgraza, non acontece en Alemaña, onde os CEO, os que mandan, son xeralmente de faciana e apelidos teutóns.

Finalmente, só como contraexemplo de que non todo en Alemaña é honradez fiscal, a construtora mais corrupta en Grecia resultou ser Hochtief, unha grande construtora alemá que debe aínda hoxe 600M€ ao estado grego en impostos e intereses. Alemaña é un prodixio tecnolóxico, certo, mas tamén alí se cocen fabas e Alemaña non podería ser un prodixio tecnolóxico se non fose un país inserido nun mercado común europeo.

13/07/2015

Questionário sobre cheias em Portugal

Peço a vossa ajuda para responder um breve questionário sobre cheias em Portugal para o Doutoramento em Sustentabilidade Social e Desenvolvimento lecionado na Universidade Aberta de Portugal.

O questionário é este

http://goo.gl/forms/toUHHZsCnP

Agradeço desde já a vossa colaboração,

02/04/2014

A engenharia em Angola (II)

"[Angola] é um país bom para jovens licenciados que tenham vontade de trabalhar. Não é um país para quem tem vontade de aprender. Aqui infelizmente não se aprende muito.

O estilo de vida é claramente solitário (...) trabalho 6 dias por semana até 14 horas ao dia.

Gostar nunca gostamos de início (...) aprende-se a gostar."

Paulo Esculcas, 38 anos, engenheiro civil na Angola. Visto na IOL Economia e na TVI. Entrevista recomendada em relação com o post A engenharia em Angola (I).

29/12/2013

Ferrol - Detroit

Existe um programa na TV digital chamado "Empeños a lo bestia". O programa trata do dia-a-dia de uma casa de penhores em Detroit. O programa não é uma maravilha de qualidade nem tem grande profundidade, mas serve para mostrar, extrapolando o que se vê nessa loja para a cidade de Detroit, uma das razões para o declínio da cidade: a idiossincrasia dos seus próprios cidadãos.

Ferrol, como Detroit, é um território que tinha tudo na década de 70 e morreu de indigestão. Como Detroit ligava o seu desenvolvimento para a indústria do automóvel assente na GM e na Ford, Ferrol ligava o seu desenvolvimento para a construção naval assente em duas empresas: Astano (o naval civil) e Bazán (naval militar).

A partir da re-conversão naval dos 80 Ferrol foi indo de mal a pior: luzes apagadas nos negócios, filas nos escritórios de desemprego, inúmeros EREs, lojas com teias de aranha , problemas de álcool, declínio da população, ...

Os velhos vivem ancorados em um passado glorioso que nunca retornará e os jovens apenas têm duas opções: emigrar para ou passar os dias fumando e olhando o mar ou, no pior dos casos, cheirando cocaína. Assim, o bairro de Caranza onde fiz o meu projeto final de engenharia, foi praticamente arrassado pela droga.

O mais triste é que a crise de Ferrol poderia ser reduzida a algo tão simples como a crise naval e a mentalidade dos seus habitantes. Ferrol passou três décadas caindo e os ferrolanos continuam a rejeitar qualquer indústria que não seja uma indústria naval estatalizada e fabril (ver o meu post anterior "Barreras, ao sudeste asiático"). De facto, Ferrol está em crise no momento em que metade da indústria naval e offshore do mundo está crescendo, como Detroit está em crise no momento em que os países emergentes desejam gastar o seu dinheiro em um meio económico de locomoção. Recomendo uma vista de olhos na web da mítica metalúrgica ferrolana para entender onde está grande parte do problema (ver, por exemplo, os concorrentes índios http://www.indiansteels.com/ http://www.jindalsteelpower.com/ ...).

Chegado o Carnaval, o disfarce mais popular em Ferrol é o "buzo", esse traje azul de soldador, porque é "grátis", e em muitas casas de Ferrol tambem há ferramentas boas e variadas fornecidas "gratuitamente" pelo mesmo estaleiro.

Ferrol como Detroit também tem muitos filhos ilustres, mas poucos retornam ou ficam para criar uma empresa e ajudar a diversificar a economia e fazer cidade.