11/02/2017

Por que um engenheiro escreve um blogue?

Para comunicar os meus pensamentos e o que faço. Simples. Não tenciono ser um campeão de audiência. O que quero é apresentar conteúdos e reflexões sobre diversos temas e, especialmente, aprender a transformar uma escrita vulgar em uma escrita cada vez mais sedutora e gostosa de se ler.


No meu caso acho que tenho uma extensa experiência como blogueiro. Comecei com esta Caixa do Mendinho em 2006, em plena febre de blogues em galego derivada de problemas ambientais como o derramamento do Prestige (2002) e a crise dos incêndios (2006). À medida que a comunidade de blogues em galego estava a passar por altos e baixos até o seu declínio atual, as coisas evoluíram naturalmente até a Caixa se tornar um blogue mais especializado em ciência, tecnologia, negócios... mas em português. Em 2007 comecei a escrever Not Only Bridges, em inglês e muito mais focado na engenharia civil. Este último, apesar do concreto do tema, teve uma ordem de magnitude mais de visitas do que a Caixa do Mendinho e a maioria dos seus visitantes habituais são de os EUA.

O total de quase duzentos artigos entre ambos os blogues serviu como uma vitrina para conseguir pequenos mas interessantes projetos como consultor ocasional. A parte mais complexa foi usar a média social para interagir com clientes potenciais. Ainda estou aprendendo muito em como melhor fazer isso: começar a segui-los, ler os seus postes e as suas interações e construir presença. É claro que não se pode esperar que um blogue e as médias sociais sejam a única e principal ferramenta de marketing, mas é claro que podem ajudar a fazer marca pessoal e como catalisador para ulteriores apresentações.

Finalmente, acho que também melhorei as habilidades essenciais para me expressar bem de maneira escrita. Os relatórios e correios eletrónicos são documentos habituais na vida de um engenheiro mas estas atividades não estimulam o processo criativo como escrever um blogue. Esta escrita foi útil para organizar e arquivar pensamentos, para fazer com que esse pensamento flua de maneira mais coesa e concisa e para expor a crítica pública as minhas ideias. A metodologia de redigir artigos curtos foi uma excelente maneira de produzir conteúdo. Olhando e lendo postes mais antigos, não vejo apenas uma página cheia de artigos, vejo uma biblioteca cheia de teses sobre um determinado assunto.

Foto: Juan Benet por Joaquín Amestoy, Madrid, 1977. 

22/06/2016

Como abrir uma conta para europeus não residentes em Portugal

Para os cidadãos da UE não residentes em Portugal é possível abrir uma conta bancária nalguns bancos em Portugal. Toda a sua correspondência será enviada para o endereço no estrangeiro.

Existem pelo menos dois bancos que não exigem deslocamentos

- BIG, Banco de Investimento Global. É a meu humilde ver a melhor escolha. É uma instituição pequena mas eficaz com sede em Lisboa. Solicita os documentos habituais nestes caso -passaporto ou bilhete de identidade, certificado de morada e justificação dos ingressos profissionais- e apenas uma transferência simbólica para ativar a conta. Fornece tamém cartões de débito e crédito com condições aceitáveis.

- Best do Novo Banco. É necessário um depósito inicial de 1000 euros e pode haver bonificações de comissões difíceis de cumprir.

Outros bancos permitem a abertura de contas mas, de uma maneira ou de outra, exigem a nossa presença num balcão. Tal é o caso da conta BPI para não residentes ou a conta ibérica da Caixa Geral de Depósitos.

22/11/2015

As lavandeiras e o engenheiro



No livro Desenvolvimento Comunitário de Hermano Carmo é relatada uma situação real que aconteceu no âmbito de um programa de saúde pública promovida pela administração mexicana. Um engenheiro projetou uns balneários e uns lavadouros novos em uma aldeia mexicana baixo os critérios técnicos aos que ele estava habituado. Deste modo os lavadouros forom implantados virados para a parede, desde onde a canalização os servia. O desenho permitia uma construção de baixo custo e com um acesso facil à água potável.  Assim as mulheres não teriam de ir ao rio lavar e se abastecer de água para a casa.

O espanto do engenheiro foi grande quando verificou que as mulheres não só não agradeciam a obra senão que estavam zangadas de as ter castigado a trabalhar voltadas para a parede, tal como os seus filhos quando se portavam mal na escola. Ademais, os novos lavadaouros não lhe permitiriam às mulheres conversar grupalmente enquanto lavavam a roupa.

O engenheiro partiu de duas ideias feitas erradas: a de que tudo o que é tradição é antiquado e portanto qualquer mudança é boa; e a de que os engenheiros, dada a sua superior formação e capacidade tecnológica, podem prescindir da opinião das populações.

19/07/2015

Made in Germany

Cando era mais novo sentía unha certa admiración pola enxeñaría alemá que se foi esvaecendo ao ir coñecendo os pormenores deste mundo.

Primeiramente, a maior parte do que se vende baixo o selo Made in Germany non é producido en Alemaña. Espero que a xente abra os ollos cedo perante este engano. Non poucas veces o Made in Germany significa facer apenas algún pequeno remate en Alemaña. O verdadeiro groso da produción é feito en Polonia, Eslovenia, Hungría, Croacia, etc... ou algún país colonizado económicamente. Eu mesmo vin fabricar a maioría das pezas dun produto en España troqueladas co Made in Germany.

A calidade dos produtos alemáns está sobrevaloradísima. Por exemplo, calquera que teña traballado cun coñecido ERP alemán non entende por qué ese ERP tan cutre, cuadriculado e tan pouco ergonómico está en case todas as empresas e non os ERP americanos. Estou certo de que se non fose polo euro e os aranceis aos produtos americanos e asiáticos, moitos produtos inferiores alemáns non serían vendidos na Europa.

A calidade da enxeñaría alemá e dos seus enxeñeiros tamén está sobrevalorada. Os mercados británico e holandés de servizos de enxeñería son moito máis competitivos que o mercado xermánico por dúas razóns: a lingua e a meritocracia, e especialmente esta última. Tanto holandeses como británicos, mesmo con Cameron, entenden que se un profisional oferece unha calidade superior, a orixe do apelido non é determiante, e non ten moito sentido porlle travas artificiais. Isto, por desgraza, non acontece en Alemaña, onde os CEO, os que mandan, son xeralmente de faciana e apelidos teutóns.

Finalmente, só como contraexemplo de que non todo en Alemaña é honradez fiscal, a construtora mais corrupta en Grecia resultou ser Hochtief, unha grande construtora alemá que debe aínda hoxe 600M€ ao estado grego en impostos e intereses. Alemaña é un prodixio tecnolóxico, certo, mas tamén alí se cocen fabas e Alemaña non podería ser un prodixio tecnolóxico se non fose un país inserido nun mercado común europeo.