22/11/2015

As lavandeiras e o engenheiro



No livro Desenvolvimento Comunitário de Hermano Carmo é relatada uma situação real que aconteceu no âmbito de um programa de saúde pública promovida pela administração mexicana. Um engenheiro projetou uns balneários e uns lavadouros novos em uma aldeia mexicana baixo os critérios técnicos aos que ele estava habituado. Deste modo os lavadouros forom implantados virados para a parede, desde onde a canalização os servia. O desenho permitia uma construção de baixo custo e com um acesso facil à água potável.  Assim as mulheres não teriam de ir ao rio lavar e se abastecer de água para a casa.

O espanto do engenheiro foi grande quando verificou que as mulheres não só não agradeciam a obra senão que estavam zangadas de as ter castigado a trabalhar voltadas para a parede, tal como os seus filhos quando se portavam mal na escola. Ademais, os novos lavadaouros não lhe permitiriam às mulheres conversar grupalmente enquanto lavavam a roupa.

O engenheiro partiu de duas ideias feitas erradas: a de que tudo o que é tradição é antiquado e portanto qualquer mudança é boa; e a de que os engenheiros, dada a sua superior formação e capacidade tecnológica, podem prescindir da opinião das populações.

19/07/2015

Made in Germany

Cando era mais novo sentía unha certa admiración pola enxeñaría alemá que se foi esvaecendo ao ir coñecendo os pormenores deste mundo.

Primeiramente, a maior parte do que se vende baixo o selo Made in Germany non é producido en Alemaña. Espero que a xente abra os ollos cedo perante este engano. Non poucas veces o Made in Germany significa facer apenas algún pequeno remate en Alemaña. O verdadeiro groso da produción é feito en Polonia, Eslovenia, Hungría, Croacia, etc... ou algún país colonizado económicamente. Eu mesmo vin fabricar a maioría das pezas dun produto en España troqueladas co Made in Germany.

A calidade dos produtos alemáns está sobrevaloradísima. Por exemplo, calquera que teña traballado cun coñecido ERP alemán non entende por qué ese ERP tan cutre, cuadriculado e tan pouco ergonómico está en case todas as empresas e non os ERP americanos. Estou certo de que se non fose polo euro e os aranceis aos produtos americanos e asiáticos, moitos produtos inferiores alemáns non serían vendidos na Europa.

A calidade da enxeñaría alemá e dos seus enxeñeiros tamén está sobrevalorada. Os mercados británico e holandés de servizos de enxeñería son moito máis competitivos que o mercado xermánico por dúas razóns: a lingua e a meritocracia, e especialmente esta última. Tanto holandeses como británicos, mesmo con Cameron, entenden que se un profisional oferece unha calidade superior, a orixe do apelido non é determiante, e non ten moito sentido porlle travas artificiais. Isto, por desgraza, non acontece en Alemaña, onde os CEO, os que mandan, son xeralmente de faciana e apelidos teutóns.

Finalmente, só como contraexemplo de que non todo en Alemaña é honradez fiscal, a construtora mais corrupta en Grecia resultou ser Hochtief, unha grande construtora alemá que debe aínda hoxe 600M€ ao estado grego en impostos e intereses. Alemaña é un prodixio tecnolóxico, certo, mas tamén alí se cocen fabas e Alemaña non podería ser un prodixio tecnolóxico se non fose un país inserido nun mercado común europeo.

13/07/2015

Questionário sobre cheias em Portugal

Peço a vossa ajuda para responder um breve questionário sobre cheias em Portugal para o Doutoramento em Sustentabilidade Social e Desenvolvimento lecionado na Universidade Aberta de Portugal.

O questionário é este

http://goo.gl/forms/toUHHZsCnP

Agradeço desde já a vossa colaboração,

02/04/2014

A engenharia em Angola (II)

"[Angola] é um país bom para jovens licenciados que tenham vontade de trabalhar. Não é um país para quem tem vontade de aprender. Aqui infelizmente não se aprende muito.

O estilo de vida é claramente solitário (...) trabalho 6 dias por semana até 14 horas ao dia.

Gostar nunca gostamos de início (...) aprende-se a gostar."

Paulo Esculcas, 38 anos, engenheiro civil na Angola. Visto na IOL Economia e na TVI. Entrevista recomendada em relação com o post A engenharia em Angola (I).