24/03/2007

Ditadores "chorros"

Chorro: (m.) Ladrón, sisador; que arrebata a la carrera algún bien a alguien. (Diccionario de jerga hispana).

A Argentina recorda neste sábado o trágico golpe de estado que abriu caminho para sete anos de sanguenta ditadura militar com 30 mil pessoas mortas ou desaparecidas. O alto índice de desemprego na Argentina (15%) e as incertezas sobre o destino da economia são motivos mais urgentes, para muitos argentinos, do que a apuração dos crimes do regime.

No plano económico, a falta de rigor nas finanças públicas e a hiperinflação por causa de uma estúpida guerra das Malvinas iniciavam uma crise que a maioria dos argentinos julgaram daquela de carácter episódico. A convertibilidade dólar-peso e as privatizações selvagens das melhores empresas (a YPF, as tele-comunicações, os comboios, a eletricidade, a água, as rodovias, a TV, as Aerolinhas Argentinas, etc...) por Carlos Menem no marco do FMI e o Washington consensus terminaram de fazer o resto: hoje já não existe uma verdadeira indústria autóctone. O que algumas empresas estrangeiras, nomeadamente espanholas, fizeram lá, mesmo com a aprovação das classes altas argentinas, não passa de ser um roubo, é agir no mercado de má fé.

Isso sim, felizmente a dignidade do povo argentino não se tem devaluado. A fotografia é dos protestos contra o corralito no jornal Clarín.